#VoteNelas: Sâmia Bomfim

Por #AgoraÉQueSãoElas

Por Sâmia Bomfim*

Homens ricos, engravatados, de cabelos grisalhos, que mentem, roubam, utilizam-se de seus cargos para benefício próprio ou das empresas que os financiam e que aprovam leis e medidas que retiram direitos do povo.

Este é o indignante retrato da política institucional no Brasil. Todos os partidos da ordem e políticos tradicionais estão envolvidos em escândalos de corrupção. Mas a política institucional já mostra claros sinais de esgotamento. O povo já não confia mais nestas velhas figuras, pois sabe que enquanto acontecem negociatas e este jogo sujo, sofre com o desemprego, a retirada de direitos trabalhistas, o preço do aluguel e dos alimentos, a violência contra mulheres, negritude e LGBTs.

Por outro lado, nas ruas, escolas, universidades e locais de trabalho, a juventude e os trabalhadores resistem e lutam. As mulheres rompem com a lógica machista de submissão e medo e se insurgem na Primavera Feminista, lutando contra o machismo, por mais direitos e ocupando o centro das disputas políticas. Os secundaristas ocupam escolas e fecham avenidas pelo direito de estudar e contra a máfia da merenda, impondo derrotas a um governador que há décadas rege uma política reacionária no estado. Estudantes e servidores públicos constroem greves em defesa da educação e do emprego. As lutas democráticas crescem, a juventude sai às ruas pelo direito à cidade, por tarifa zero, pelo fim da guerra às drogas e do genocídio da população preta. No parlamento, o PSOL, com sua pequena e combativa bancada, protagoniza importantes batalhas contra a corrupção e por mais direitos e demonstra, na prática, que é possível construir uma nova forma de fazer política.

São Paulo é a cidade onde mais se sentem as consequências da crise econômica e política, com suas desigualdades, injustiças, segregação urbana e violência. Mas também onde se constroem grandes lutas que sacodem o país e nos apontam para outro futuro, através de uma política radicalmente diferente. Neste domingo, as eleições municipais devem ser o momento de ocuparmos a política institucional com as lutas que construímos em oposição a esta velha política falida.

Aceitei o desafio de expressar em uma candidatura esta nova onda de ativistas que reinventa a todo momento a forma de fazer política. Por ser uma jovem trabalhadora que luta para estudar, trabalhar, militar e viver em São Paulo desde os 17 anos, sei das dificuldades que as mulheres e a população paulistana enfrentam diariamente.

Após organizar diversas campanhas feministas nas ruas e nas redes como “Eu apoio a legalização do aborto”, “Eu luto contra a cultura do estupro” e “Pílula fica, Cunha sai #ForaCunha”, enfrentei o que há de mais conservador na sociedade quando fui processada pelo machista Alexandre Frota e quando debati com Sara Winter no Fla X Flu da Folha defendendo o movimento feminista.

No entanto, o enfrentamento ao conservadorismo deve também invadir a Câmara de Vereadores. Precisamos consolidar mandatos progressistas e feministas para a defesa de nossos direitos na cidade de São Paulo.

Enquanto eles fazem acordões, nós lutamos. Enquanto eles são machistas e conservadores, nós construímos uma candidatura feminista, que luta pelo direito ao corpo, saúde, direitos e à vida das mulheres. Eles são Cunhas, nós, a Primavera das Mulheres. Enquanto eles roubam merenda, nós ocupamos escolas. Enquanto eles matam jovens negros nas periferias, nós lutamos pelo fim da polícia militar e pela legalização das drogas. Eles são LGBTfóbicos, nós lutamos pelo direito de ser e amar quem quisermos. Eles são reacionários, nós defendemos os direitos humanos e a liberdade.

É necessária uma revolução na política, com uma mulher jovem, trabalhadora, combativa, feminista e militante. Podemos eleger a primeira mulher vereadora do PSOL em São Paulo. Chegou a nossa vez! Agora é que são elas.

 

*Sâmia Bomfim é trabalhadora da USP, militante feminista, candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL e faz parte da Bancada Ativista.