#VoteNelas: Marina Helou

Por #AgoraÉQueSãoElas

Precisamos transformar a política em um lugar para as mulheres

Por Marina Helou*

Ainda estamos muito longe do momento das mulheres na política. Se nestas eleições podemos ter o privilégio de várias candidaturas femininas, ao olharmos os números vemos que só 30% das candidatas são mulheres. Ou seja, é exatamente o que a legislação prevê. Nenhuma candidatura feminina além do mínimo necessário imposto por lei para que os partidos pudessem levar adiante todas as candidaturas.

Para quem é mulher, jovem e está participando de uma campanha eleitoral, fica clara a existência de uma barreira para entrar na política institucional. Diariamente, nós, mulheres jovens, somos obrigadas a ouvir perguntas e comentários como: “Mas vai fazer o que na política menina? Não é lugar para você, não”, ou “mas menina, tão bonita, quer se meter com política por quê?”. Como se não bastasse, quando nos aventuramos a ir para as ruas, para conversar com as pessoas e apresentar nossas propostas, somos diretamente assediadas, sem o menor constrangimento. Após abordar um potencial eleitor, com alguma frequência eu ouço como resposta frases do tipo “me dá um beijo que voto em você”. Não poderia ser mais descarada a violência.

Nos enchemos de coragem para lançar a candidatura, pensamos em propostas que sejam coerentes com a nossa forma de enxergar a política, passamos noites mal dormidas pensando nas estratégias que poderiam ser eficientes nesse momento da campanha e, quando vamos colocar isso em ação, nos apresentando para os eleitores, somos tratadas como objeto. Nada do que estamos fazendo ou falando naquele momento importa, mas somente o fato de que somos mulheres.

Não, hoje a política não é um lugar para mulher. A política que vemos atualmente é um reflexo da nossa sociedade, essencialmente machista e que se recusa a concordar com a possibilidade de que as mulheres possuem os mesmos direitos dos homens de estarem nos espaços que elas quiserem. É exatamente por isso que é tão urgente mudarmos nossa maneira de votar.

Essa lógica precisa ser alterada na sociedade como um todo e a mudança na política é um passo fundamental. Eu enxergo 3 motivos principais do porquê é fundamental votarmos em mulher nestas eleições:

1) Encaminhar pautas específicas. Teoricamente, todas as pessoas têm a possibilidade de pensar políticas públicas que atendam outros públicos, além daquele ao qual a pessoa pertence. No entanto, só quem é o público alvo pode realmente qualificar estas pautas a partir de suas vivências e experiências, e isso faz muita diferença. Hoje as mulheres são 52% da população, mas as suas necessidades de demandas não estão adequadamente representadas. Como, por exemplo, discutir diferentes meios contraceptivos que podem ser oferecidos pelo sistema público de saúde, discutir formas de realização do parto que se preocupem com o corpo da mulher, licença parental, estudo de questões de gênero, políticas para combater o preconceito e a violência contra as mulheres, dentre outros. Os homens podem ter empatia por essas causas, mas o lugar de fala das mulheres sobre isso é fundamental.

2) Diversidade traz melhores resultados para todos. A consultoria estratégica Mackinsey fez um estudo com empresas no mundo todo e concluiu que empresas que têm diversidade e equidade de gênero em suas diretorias e conselhos administrativos têm melhores resultados financeiros. Simples assim. A diversidade é importante porque traz profundidade e diferentes pontos de vista, que na política institucional certamente resultam em melhores políticas públicas para todos.

3) Representatividade importa! Não apenas para nós mulheres hoje, mas também para as próximas gerações. Hoje, nosso viés inconsciente da política é de que este é um espaço para homens, brancos, heterossexuais e mais velhos. Esse é o cenário na Câmara dos Vereadores de São Paulo, assim como em outros espaços políticos, e sempre que nos deparamos com os personagens da política institucional (seja por meio das entrevistas na televisão, ou reportagens nos jornais e revistas), esta é a imagem que temos, o que reforça o comportamento das pessoas de que política não é coisa de mulher. É assim que a nossa sociedade enxerga a classe política. Precisamos de representatividade para criar a imagem de que a política é, sim, um espaço para todos e todas. Para as meninas saberem que quando se tornarem mulheres elas podem escolher serem políticas. Como podem escolher ser exatamente aquilo que quiserem ser!

Vamos falar por nós mesmas. Nestas eleições vote em mulher!
* Marina Helou, é administradora pública, candidata a vereadora em São Paulo pela Rede Sustentabilidade e faz parte da Bancada Ativista.