Sozinhas andamos bem, mas juntas andamos melhor

Por Folha

Foi esse canto que ecoou nas ruas e nas redes do Brasil em 2015. Milhares de mulheres se uniram para dizer que não passarão. Os machistas, suas candidaturas, seus tuítes, seus projetos de lei.

Numa catarse digital e em atos por todo o país, mulheres responderam ao ataque que ameaça erodir direitos duramente conquistados e aos ataques diários ao nosso corpo e à nossa liberdade. Num momento em que a polarização parecia levar a sociedade brasileira à imobilidade e interditar o debate, as mulheres reanimaram paixões políticas. Mostraram que o diálogo interseccional e intergeracional é possível e potente. É profundamente disruptivo e pode ser transformador.

O Estado veio com cunhas e dentes. Os movimentos conservadores vieram com argumentos de quinta. Mas nós reagimos. On-line e off-line.

Nos somamos às muitas nessa marcha de corpos e hashtags. E nossa contribuição foi demandar dos homens escuta ativa. Pedimos que fizessem silêncio para que seus espaços garantidos de fala fossem ocupados por mulheres. A intenção era que vozes femininas fossem ouvidas. Que a narrativa sobre os desafios do presente, as lutas do passado e as incertezas do futuro fosse das mulheres. Queríamos a resistência e a insurgência na primeira página. O resultado foi a semana de ação #AgoraÉQueSãoElas: milhares de colunas, blogs e feeds de homens foram ocupados por mulheres. Tomamos a palavra.

Mas uma semana é pouco. E o espaço cedido pode ser tomado de volta. Por isso estamos aqui. Conquistando espaço de forma permanente. E abrindo-o. Para narrativas femininas e feministas.

Duas vezes por semana, teremos aqui mulheres falando sobre desigualdade de gênero. Falando do normal que nos é imposto. E do novo normal que estamos gestando, juntas.

Aqui falaremos de política. De poder. Mulheres serão convidadas para ocupar esse espaço tendo sempre em mente o esforço contínuo pela diversidade. Pela pluralidade. Pelo combate às desigualdades que se somam. Uma tentativa de experimentar aquilo que demandamos: a ocupação dos espaços com justiça e por justiça. O exercício de poder de modo feminino, distinto, conectado à vulnerabilidade que vivenciamos e empático à vulnerabilidade da outra e do outro.

Essa luta não começou ontem e não acaba amanhã. Neste blog, companheiras serão autoras. Aliados serão leitores mais que bem-vindos. Aqui, fincamos mais uma bandeira: eis uma nova trincheira.